06/04/2018

A SOMBRA DE DEUS – Rodrigo Gurgel

Os quinze romances que compõem a Tragédia burguesa, de Otávio de Faria, são os mais desconhecidos da literatura nacional. A mortalha usada para esconder, das últimas gerações, esse ciclo romanesco que se inicia em 1937, com Mundos mortos, e termina em 1979, com O pássaro oculto, é o índice claro dos erros cometidos por movimentos literários — e teóricos da literatura — que enaltecem a forma sobre o conteúdo, o niilismo e seus […]
02/04/2018

ROMANCISTAS CATÓLICOS E SEUS LEITORES – Flannery O’Connor

Sempre que penso no romancista católico e em seus problemas, lembro-me da lenda de São Francisco e do lobo de Gubbio. Diz a lenda que São Francisco converteu um lobo. Não sei se de fato ele converteu o lobo ou se o caráter do lobo apenas melhorou consideravelmente depois do encontro com São Francisco. Seja como for, ele amansou bastante. Mas a moral dessa história, ao menos para mim, é […]
23/03/2018

JOSEPH PEARCE FALA SOBRE O CATOLICISMO DE SHAKESPEARE – Thomas I. McDonald

William Shakespeare permanece o mais controvertido e desafiante escritor da literatura inglesa, quatro séculos após sua morte. Muitos leitores e frequentadores de teatro ignoram as controvérsias e simplesmente se apaixonam por sua poesia, sua linguagem, seus personagens, suas peças. No mundo acadêmico, porém, Shakespeare se transformou numa espécie de espelho turvo no qual as pessoas veem o que querem, transformando-o num crítico social marxista, um protofeminista, um mulherengo ou um […]
20/03/2018

UM GRANDE ROMANCE BRASILEIRO: “MARCORÉ”

Poucas pessoas, em Batatais-SP, sabem que ali nasceu um grande escritor, Antônio Olavo Pereira, autor de um romance, Marcoré, que se situa entre os mais bem realizados da literatura brasileira contemporânea. Antônio Olavo era irmão do editor José Olympio e nasceu em Batatais em 1913, morrendo em 1993 na capital paulista, onde viveu a maior parte da vida, quase toda ela dedicada à famosa editora do irmão (que, entre os […]
08/03/2018

POLÊMICA CARPEAUX – CORÇÃO – 3

CARTA ABERTA AO SR. GUSTAVO CORÇÃO – Otto Maria Carpeaux Ilustríssimo Sr. Gustavo Corção, O artigo que o senhor publicou, nesta revista, para defender, contra mim, a inteligência cristã, terminou com as palavras: “…entrego essas páginas à reflexão do sr. Oto Maria Carpeaux”. Tem esta carta o fim de explicar ao senhor porque não estou em condições de aceitar o seu convite. Como o senhor sabe, não respondi à campanha, […]
08/03/2018

POLÊMICA CARPEAUX – CORÇÃO – 2

MAURIAC E SEUS CRÍTICOS – Gustavo Corção Há alguns meses Otto Maria Carpeaux publicou no livro “Origens e Fins” um ensaio intitulado “Mauriac?”. O presente estudo pretende responder àquela interrogativa, procurando, ao mesmo tempo, organizar e arrumar o que o ensaísta deixou em erro e desordem ao longo de 13 páginas. Devo notar que nesse meio tempo esse autor tem sido atacado de um modo quase sempre injusto e mesquinho. […]
08/03/2018

POLÊMICA CARPEAUX – CORÇÃO – 1

MAURIAC? – Otto Maria Carpeaux Tive um amigo — há muitos anos saudosos —, grande entusiasta das letras francesas, cuja clareza cartesiana não tinha conseguido aclarar as confusões terríveis da sua fraca memória. “Estou tresnoitado”, disse, encostando a cabeça na mesa do pequeno café literário. “Li durante toda a noite, e estou ainda fascinado. Que romancista, este Mauriac! Reúne nos seus romances a curiosidade psicológica das suas engraçadas biografias romanceadas […]
08/03/2018

OCTAVIO DE FARIA E CORNÉLIO PENA – Alceu de Amoroso Lima

No tempo de Júlio Diniz e de Machado de Assis, de que nos ocupamos nas crônicas passadas, o romance ainda era a exceção. Hoje, é a regra. Em Portugal o autor da Morgadinha dos Canaviais sucedia a Camilo Castelo Branco e era sucedido por Eça de Queiroz. Cada um a seu tempo, tranquilamente, enchendo a sua época, quase solitários. No Brasil, contavam-se a dedo os romancistas. José de Alencar sucedia […]
08/03/2018

A LITERATURA COMO FORMA DE RESISTÊNCIA – Daniel McInerny

As coisas parecem que vão muito mal, e é difícil ver como poderiam melhorar. Muitas são as causas do nosso mal-estar cultural: a deterioração da vida familiar; a redefinição da instituição do casamento; ameaças à liberdade religiosa. As escolas, em diferentes níveis de ensino, estão escolhendo a caverna em vez da luz. Estamos sofrendo na espinhosa cama das ideologias secularistas. Mas quantas pessoas descreveram nossa crise cultural como uma crise […]